28/10/2012

Vida Maria

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Mais além ainda da triste realidade sócio-economico-cultural de muitos brasileiros, que tenhamos nós muito cuidado com a repetição de comportamentos e que, acima de tudo, não deixemos que os nossos sonhos ou de nossos filhos sejam engolidos pela realidade do dia-a-dia.
Acreditem, esse curta de Márcio Ramos merece uma parada de 8 minutinhos.

04/09/2012

E a lua azul iluminou a minha noite...

Esse título é uma cópia deformada, mas descarada do título da excelente crítica de Ali Hassan Ayache. Acontece que não posso encontrar nada que descreva melhor uma noite de lua rara e linda, com temperatura outonal, numa cidade que sempre me emociona, num dos lugares mais lindos que há ali, com pessoas queridas, para ver um recital extraordinário. Só posso definir como iluminada.
A passagem de Fabio Armiliato e Daniela Dessì por São Paulo, acompanhados pela OSM sob a regência perfeita, bem humorada e elegante de Abel Rocha fizeram dessa noite, que poderia ainda ter sido linda, estupenda.
Eu sei - e mea culpa! - que pela lei municipal nãoseidasquantas é proibido filmar e fotografar dentro da sala do Theatro Municipal de São Paulo e, creio, em todas as outras. Mas quem poderia resistir a guardar um pedacinho dessa noite?



E, aha!, não fui a única meliante... Fecharam deliciosamente com Oooo sooooooole miiiiiiiiooooo




(Para muita gente São Paulo parece ser uma cidade sem graça, feita de prédios e gente apressada, mas alguma coisa acontece no meu coração... e não só quando cruzo a Ipiranga x Avenida São João...)



04/08/2012

Miss Fergusson... muito prazer!

Quem é que não para o que estiver fazendo para ver um balão passando? Bom, eu paro. Acho muito lindo.

Mas mesmo assim, paralisada por um suposto medo de altura, nunca tinha tido a iniciativa de me pensar lá em cima, até que um dia, voilà, ganhei o passeio.

Demorei um tempão pra agendar, talvez tomando coragem e me adaptando à idéia. Até a manhã do passeio (que aconteceu a tarde, já que o mês de julho é propicio para passeios tanto pela manhã quanto pela tarde) eu torcia para que chovesse, ventasse ou qualquer coisa que fizesse com que me telefonassem e dissessem que o balão não poderia subir, mas não. Dia perfeito! Sabadão de sol brilhando, céu azul sem nem uma única nuvenzinha, temperatura boa. Recebo a confirmação do passeio e lá vou eu, o caminho inteiro pensando algo como “o que é que tô fazendo? mal consigo ficar numa sacada!”.

Ah, mas quando cheguei na área de saltos do Centro Nacional de Paraquedismo, em Boituva/SP, de onde sobem grande parte dos passeios de balão, toda aquela movimentação, os paraquedistas, os aviões, tudo aquilo mudou por completo minha disposição. É uma energia quase palpável e todo o meu medo ou ansiedade se desvaneceu. 

É um passeio apaixonante. Algo da magia de Julio Verne com um quê de romantismo por se saber voando da maneira mais antiga. 

E o meu medo de altura? Que medo? Eu quero é mais!







Ahh tem mais gente que para pra ver o balão passar, viu!  (foto com zoom)

Tudo bem que eu não passei cinco semanas no balão, nem atravessei algum continente, mas foi uma experiência linda. E minha.

09/07/2012

De minhas discordâncias

Para Aurélio – frio que é – uma palavra é só uma palavra, com suas acepções e derivações, sinônimos e antônimos. Mas não para mim. Para mim, muitas vezes, elas tem o significado que o meu coração dá. Assim que nessas vezes, me reservo o direito de discordar terminantemente dele. Certa feita foi o caso de “dizer a verdade / ser sincero”, hoje é o caso de “lealdade / fidelidade”. Segundo ele o fiel e o leal entram no mesmo balaio. Não acho.

Sempre tive para mim que a lealdade é maior, mais integra, mais importante. É valor. É vínculo. Não exige acordos. É caráter. Veracidade. Honradez. Consideração. Respeito.

E que a fidelidade é externa, simplista. Dever moral. Acordo. Compromisso feito de regras e costumes.

Alguém pode sim ter sido desleal sem nunca ter sido infiel, basta que não tenha sido honesto mas que tampouco tenha violado algum acordo.  E o inverso também acontece. Se aplica a qualquer tipo de relacionamento, seja amoroso, de amizade, familiar, de trabalho e até mesmo o intrapessoal (pois é, tem gente que consegue ser infiel ou desleal até consigo mesmo).

O fiel é fiel porque cumpre um compromisso, ainda que tácito. É como uma obrigação.  É estar.

O leal é leal porque respeita outro ser sem se sentir obrigado a isso. É preferência. É ser.

Para ser fiel é preciso apenas disciplina. Para ser leal é preciso ter caráter. 

A linha que separa um do outro pode parecer tênue para alguns e para outros pode nem existir, mas a vejo ululante. Talvez o ponto de corte entre um infiel e um desleal seja o modus pensandi e porque não, o operandi também. Seriam como A Culpa e O Dolo.

O infiel pode circunstancia e eventualmente enganar outra pessoa. Não  teve a intenção, mas fez. Não há habitualidade, foi oportunista. Não cumpriu o acordo. Mas ainda que com um ato mau, há empatia com o outro. Ele feriu. É culpa.

O desleal não. É torpe, faz de propósito, sabendo exatamente o que faz, monta estratégias, manipula situações e pessoas. Para o desleal ninguém importa mais do que ele próprio. Ele não é circunstancial, ele cultiva o engano. Tira proveito da confiança, dos sentimentos, é traiçoeiro, egoísta. Ele cria. Te rouba em seu direito de decisão. Ele fere. É dolo.

O infiel tem a culpa nos olhos. O desleal um sorriso nos lábios.

Todos estão sujeitos a serem infiéis em algum momento, existem N variáveis que podem levar alguém a isso e outras questões mais complexas e subjetivas, mas somente os mau-caráter são desleais.

Ambos causam estragos, mas só o desleal destrói. Quando os relacionamentos se quebram definitivamente, desacredito que seja por falta de fidelidade. O que realmente destrói  relações  é a falta de lealdade.

Quiçá seja por ser algo tão meu, talvez eu ainda não consiga deixar essa diferença muito clara quando a mando para fora de mim, embora há muito pense em como fazer. São conceitos muito pessoais, que dependem do que cada um estabeleceu para si. É certo que fidelidade tem muito mais apelo em nossa cultura, principalmente se falando em relacionamentos amorosos, mas embora a teoria seja muito bonita, me soa um pouco hipócrita. Quem precisa de fidelidade é companhia aérea. Dou preferência à lealdade.

13/05/2012

Manhê

Me lembro de que quando minha filha mais velha era bem pequenina, com poucos dias, eu me peguei olhando para ela e pensando: como é que eu consegui viver até aqui sem ter você comigo?
E assim, durante todos esses anos, essas duas pessoinhas (já nem tão pessoinhas assim) me ensinaram o gratificante exercício do desprendimento, do desapego, de doar-se com o único objetivo de cuidar, educar, proteger e proporcionar felicidade. Me ensinaram a respeitar as individualidades.
Não é o paraíso, muitas vezes eu tenho síndrome de Forrest Gump, mas então, quando aqueles rostinhos olham para você no comecinho do Dia das Mães, te dão um presente confeccionado por elas mesmas - que não tem valor financeiro algum, mas que você vai guardar para o resto da vida como se fosse o seu maior tesouro - e te dizem: “mãe, eu te amo, e não canso de agradecer o presente que é ser sua filha, você é minha vida” aí então você entende que qualquer esforço e qualquer sacrifício nunca é demais se você puder ver esses olhinhos sorrindo.
Como já bem disse alguém que não me lembro quem: ter filhos é decidir ter, para sempre, o coração fora do corpo.

Feliz Dia das Mães! Para as mães e para os filhos
 

22/04/2012

Pois sim


Parece que as pessoas tem medo de serem felizes, como se isso fosse um pecado ou uma obscenidade. Bah, grande besteira. O mundo precisa é de pessoas mais felizes mesmo.

Ser feliz não é um estado, é uma condição. Uma filosofia de vida. É atitude. Posicionamento. Condicionamento. É ser em essência, apesar dos dias de tristeza, ansiedade e depressão que sempre acontecem (afinal se opta por ser feliz, não idiota ou alienado).

Há que se entender que a vida, a tão esperada vida, é justamente isso que acontece no dia-a-dia. Os momentos fantásticos, idílicos, poéticos e perfeitos são acréscimos, não finalidade. Se esperarmos tudo ser magicamente resolvido para começar a ser feliz, bom, melhor tentar a vida em Nárnia ou Neverland.


 Só é feliz quem quer.

30/03/2012

Millôriando

Certas coisas só são amargas se a gente as engole.

Não é que com a idade você aprenda muitas coisas; mas aprende a ocultar melhor o que ignora.

Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado.

Vocês não sabem como é divertido o absoluto ceticismo. Pode-se brincar com a hipocrisia alheia como quem brinca com a roleta russa com a certeza de que a arma está descarregada.




É isso aí!